Abrasileirando a futilidade mundial
Visualize a história do Big Brother Brasil e o consentimento ou não do ato sexual. Some isso à decisão judicial em multar Rafinha Bastos em $20.000,00 para "indenizar" Wanessa e seu rebento, por ter feito uma piada em um programa de humor. Acresça minha experiência pessoal de bater boca na porta de casa (ainda hoje!!!), com um sujeito em um Golf 2001 envelopado em Contact Fosco, que ouvia uma música de muito mau gosto, obviamente em uma altura intangível.
O que todas essas histórias tem em comum? Juntas, elas desenham o perfil do comportamento do brasileiro. Sim, seu comportamento, meu comportamento, nossos comportamentos, hábitos, valores.
O brasileiro é um povo fadado (ou que fadou-se) a se importar com o que é menos importante. Trocando em miúdos: somos um povo fútil. Sou avessa a generalizações. Conheço centenas de projetos bem intencionados, de pessoas engajadas, de ações do bem. Eu mesma sempre que posso abraço causas que acredito e toda ação voltada para o bem, é sempre muito bem vinda. No entanto, não somos um povo educado para viver coletivamente.
A priori, porque somos capitalistas, muito consumistas, mesmo vivendo em um país de miséria e fome. Como podemos ser um dos maiores compradores de lixo tecnológico (caríssimo) oriundo do primeiro mundo e o mesmo tempo, atacamos um assentamento em uma grande cidade do estado de São Paulo com gás, fogo e violência física, independente de haverem ali crianças e mulheres? Jogue a primeira pedra quem não se pegou debatendo sobre o caso nefasto do BBB 12, que tomou proporções tão gigantes que nem a experiente direção do programa soube como gerenciar. (Bial é uma piada narcótica, sempre dopado apresentando todo aquele lixo e citando Brecht, Bukowski e Hemingway.).
Somos, mesmo que involuntariamente, parte integrante desse show de horrores. Porque se gostamos, somos massa de manobra midiática. Se não gostamos, também. E precisamos, (dizem que precisamos) sempre ter uma posição formada sobre tudo. (Nada de metamorfose ambulante, hein...). Discordo. Como podemos criticar e condenar o comediante que fez piada, justamente porque fez piada? E como a lei funciona rápida e indelével ao julgar procedente uma causa recente e supérflua como a acionada pela cantora internacional (rarara), esposa de playboy e neta de Francisco, Wanessa? (Já tentou dar entrada em um pedido de alvará? Boa sorte, você não é neto do Seu Chico).
No mais, independente da procedência da dita "causa", vinte mil reais é troco de padaria pra senhora Buaiz. Espero que ela tenha comprado muitas cestas básicas e distribuído por aí. Caso contrário ela é tão idiota (ou mais) do que a piada de Rafinha Bastos. Também não somos educados para viver em sociedade. Jogamos lixo o chão, ocupamos vagas de idosos, ouvimos música em som estridente em nossas casas, carros e porque não, nossos celulares. E mesmos que não façamos tudo ao mesmo tempo, de vez em quando damos uma escorregada na civilidade, porque a moral que vale nas ruas, nos empregos, no lazer do brasileiro, é a de que, quando ninguém está olhando, pode. (Por mais que muitos pouco se importem de alguém estar olhando, ou até prefiram ser alvo voyeur - vide BBB).
A pior parte do todo: não sabemos falar e muito menos escrever nossa língua direito. Não queremos assistir o jornal que fala da politicagem e forma opiniões. Não queremos discutir sobre isso. Não recebemos nem damos apoio a produção intelectual, seja ela feita através do humor ou da ciência. Não queremos os desastres e a miséria, só damos atenção ao morticídio dos pobres depois do fato consumado. No entanto, discutimos calorosamente a piada mal colocada, a bunda mais gostosa, a roupa de fulana, o barraco da novela.
Novidade alguma, certo? Mais do mesmo. Mais da cultura brasileira. Mais do carnaval, do futebol e das pseudo-mulheres de corpos saradíssimos rebolativos em retalhos ínfimos no Carnaval. (E no resto do ano...).Mais da dona de casa enlouquecida porque quer o peito assim, a bunda assado, o cabelo assim-assado. Do homem que busca fora de casa a gostosa da TV e acaba comendo qualquer outra. Mais da menina de 11 anos fazendo sabe-se lá quantas velocidades do "créu" no baile funk e no banheiro da escola com meninos e meninas, ora bolas. Mais do cultuado ser moderno que se confunde com ser fácil, descartável, dispensável. Mais do Brasil, esse Brasil de sempre: de "presidentas", de mulheres de todos os sabores, de androgenia e homens adeptos da violência non-sense. De BBBês, humoristas emudecidos e vizinhos sem educação. De pessoas como eu, como nós. De pessoas como você. Continue lendo >>
O brasileiro é um povo fadado (ou que fadou-se) a se importar com o que é menos importante. Trocando em miúdos: somos um povo fútil. Sou avessa a generalizações. Conheço centenas de projetos bem intencionados, de pessoas engajadas, de ações do bem. Eu mesma sempre que posso abraço causas que acredito e toda ação voltada para o bem, é sempre muito bem vinda. No entanto, não somos um povo educado para viver coletivamente.
A priori, porque somos capitalistas, muito consumistas, mesmo vivendo em um país de miséria e fome. Como podemos ser um dos maiores compradores de lixo tecnológico (caríssimo) oriundo do primeiro mundo e o mesmo tempo, atacamos um assentamento em uma grande cidade do estado de São Paulo com gás, fogo e violência física, independente de haverem ali crianças e mulheres? Jogue a primeira pedra quem não se pegou debatendo sobre o caso nefasto do BBB 12, que tomou proporções tão gigantes que nem a experiente direção do programa soube como gerenciar. (Bial é uma piada narcótica, sempre dopado apresentando todo aquele lixo e citando Brecht, Bukowski e Hemingway.).
Somos, mesmo que involuntariamente, parte integrante desse show de horrores. Porque se gostamos, somos massa de manobra midiática. Se não gostamos, também. E precisamos, (dizem que precisamos) sempre ter uma posição formada sobre tudo. (Nada de metamorfose ambulante, hein...). Discordo. Como podemos criticar e condenar o comediante que fez piada, justamente porque fez piada? E como a lei funciona rápida e indelével ao julgar procedente uma causa recente e supérflua como a acionada pela cantora internacional (rarara), esposa de playboy e neta de Francisco, Wanessa? (Já tentou dar entrada em um pedido de alvará? Boa sorte, você não é neto do Seu Chico).
No mais, independente da procedência da dita "causa", vinte mil reais é troco de padaria pra senhora Buaiz. Espero que ela tenha comprado muitas cestas básicas e distribuído por aí. Caso contrário ela é tão idiota (ou mais) do que a piada de Rafinha Bastos. Também não somos educados para viver em sociedade. Jogamos lixo o chão, ocupamos vagas de idosos, ouvimos música em som estridente em nossas casas, carros e porque não, nossos celulares. E mesmos que não façamos tudo ao mesmo tempo, de vez em quando damos uma escorregada na civilidade, porque a moral que vale nas ruas, nos empregos, no lazer do brasileiro, é a de que, quando ninguém está olhando, pode. (Por mais que muitos pouco se importem de alguém estar olhando, ou até prefiram ser alvo voyeur - vide BBB).
A pior parte do todo: não sabemos falar e muito menos escrever nossa língua direito. Não queremos assistir o jornal que fala da politicagem e forma opiniões. Não queremos discutir sobre isso. Não recebemos nem damos apoio a produção intelectual, seja ela feita através do humor ou da ciência. Não queremos os desastres e a miséria, só damos atenção ao morticídio dos pobres depois do fato consumado. No entanto, discutimos calorosamente a piada mal colocada, a bunda mais gostosa, a roupa de fulana, o barraco da novela.
Novidade alguma, certo? Mais do mesmo. Mais da cultura brasileira. Mais do carnaval, do futebol e das pseudo-mulheres de corpos saradíssimos rebolativos em retalhos ínfimos no Carnaval. (E no resto do ano...).Mais da dona de casa enlouquecida porque quer o peito assim, a bunda assado, o cabelo assim-assado. Do homem que busca fora de casa a gostosa da TV e acaba comendo qualquer outra. Mais da menina de 11 anos fazendo sabe-se lá quantas velocidades do "créu" no baile funk e no banheiro da escola com meninos e meninas, ora bolas. Mais do cultuado ser moderno que se confunde com ser fácil, descartável, dispensável. Mais do Brasil, esse Brasil de sempre: de "presidentas", de mulheres de todos os sabores, de androgenia e homens adeptos da violência non-sense. De BBBês, humoristas emudecidos e vizinhos sem educação. De pessoas como eu, como nós. De pessoas como você. Continue lendo >>












